Relação cintura quadril, uma forma simples de estimar o risco de doença crônica

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O mundo atual favorece e facilita a vida do ser humano, tanto que e verdade que hoje em dia temos quase tudo nas mãos de forma automatizado, não necessitando realizar muitos esforços e nem movimentos para alimentarmos, para deslocarmos, para comunicarmos entre outras ações humanas necessárias do cotidiano. Por outro lado essas facilidades estão resultando em sedentarismo, em má alimentação, em poucas horas de descanso noturno, em consumo excessivo de medicamentos sem orientação medica além de associações a vícios como o álcool e o fumo.
Como conseqüências percebemos o aparecimento de depósitos de gorduras pelo corpo, em especial nas costas, no abdome e no quadril, que podem representar sérios riscos à saúde.
Pesquisas 2, 5, 6, 7 alertam para as dimensões de circunferência abdominal, cujo acúmulo e má distribuição de gordura nessa região podem ser deletérios a saúde. A maior preocupação e com a gordura visceral, que fica na área subcutânea do abdome, e que pode comprometer o bom funcionamento dos órgãos como: o fígado, o pâncreas, os rins e o intestino. Alguns estudos 2, 4, 8 demonstraram que essa gordura contribui para o aumento na taxa de triglicérides e de LDL, criando um desequilíbrio lipídico, o que pode elevar a pressão arterial e desenvolver diabetes, além de contribuir para o risco de infarto do miocárdio e de um acidente vascular cerebral (AVC).  Além disso, nas mulheres há o risco de desenvolver câncer nas mamas, no útero e no cólon. 6
A relação cintura quadril (RCQ)1, 3 e uma forma bastante comum de estimar e perceber a distribuição da gordura dos segmentos superiores em relação aos segmentos inferiores e foi desenvolvida para prognosticar o risco de doença crônica. Para isso e necessário que utilize a medida da cintura (cm) divido pela medida do quadril (cm) e depois observar na tabela se esta dentro dos padrões aceitáveis para a idade e para o sexo (tabela 1).

 RCQ = Cintura (cm)
              Quadril (cm)

O local de medida da circunferência da cintura, situa-se no ponto mais estreito entre as costelas e a pelve. A do quadril é obtida na circunferência máxima abaixo da cintura pélvica, ou seja, no nível da extensão máxima dos glúteos.  Essas medidas são obtidas através de uma trena metálica , colocada de forma transversal ao segmento que esta sendo medido, diretamente sobre a pele nua e sem pressioná-la excessivamente.

Os valores < 0,85 cm para mulheres e < 0,95 cm para os homens da relação cintura quadril, sugerem riscos menores para doença arterial coronariana, hipertensão e diabetes. 2. Porem a relação cintura quadril não deve ser usado para predizer com exatidão as mudanças que ocorrem na gordura visceral após um tratamento de perda de peso. 9. Alguns trabalhos 5,7 sugerem que apenas a medida da cintura já seria suficiente para predizer sobre a presença de deposito de gordura visceral quando comparado a RCQ, pois ao apresentar um valor >89 cm para mulheres e >102 cm para os homens por si só já seria um sinal de risco. O tratamento de forma geral, para indivíduos que apresentam um valor de RCQ ou de circunferência da cintura acima dos valores mencionados como aceitáveis, resume na prática regular de exercícios físicos, numa dieta alimentar adequada às necessidades diárias do sujeito e em alguns casos, na utilização de medicamentos com supervisão medica.

Tabela 1 – Valores de RCQ, conforme a idade e o sexo.

HEYWARD e STOLARCZYK, 2.000.

O quadro 1 apresenta o risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares conforme os valores obtidos através do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência da cintura.

A fórmula do IMC baseia-se com dados do peso e da estatura. Desta forma, tem-se:

IMC = Peso (kg)
              Estatura (m)2

 Quadro 1 – Risco para doenças cardiovasculares através da medida do IMC e da circunferência da cintura. 

IMC (kg/m 2)

≤   102 cm Homens > 102 cm Homens
 

≤   88 cm Mulheres

> 88 cm Mulheres

25 a 29,9 – Sobrepeso

Aumentado

Aumentado

30 a 34,9 – Obeso leve (Grau I)

Alto

Alto

35 a 39,9 – Obeso moderado (Grau II)

Muito alto

Muito alto

> 40  – Obeso mórbido (Grau III)

Extremamente alto

Extremamente alto

Abeso 2.008 (on line)

  

 Por Luiz Antonio Domingues Filho

 Referências Bibliográficas

  1. AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE – Manual de pesquisa das diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição – 4ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2003.
  2. AVERY, C.S – Abdominal obesity: scaling down this deadly risk – Physician and Sportsmedicine, 9(10):137, 1991.
  3. HEYWARD, V.H; STOLARCZYK, L.M. – Avaliação da composição corporal aplicada. – Manole, São Paulo, 2.000.
  4. KAPLAN, N.M. – The deadly quarter: upper-body obesity, glucose intolerance, hypertriglyceridemia and hypertension – Archives of International Medicine, 149:1514, 1989.
  5. LEAN, M.E.J; HAN, T.S. – Waist circumference as a measure for indicating need for weight management – British Medical Journal, 311(6998):158, 1995.
  6. McARDLE, W. D; KATCH, F. I; KATCH, V.L. – Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. – 4ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1998.
  7. NATIONAL HEART, LUNG AND BLOOD INSTITUTE – Clinical  guidelines on the identification, evaluation, and treatment of overweight and obesity in adults – National Institutes of Health, Washington, 1998.
  8. NATIONAL RESEARCH COUNCIL – Diet and health: implications for reducing chronic disease risk – Government Printing Office, Washington, 1989.
  9. VAN DER KOOY, K; LEENEN, R; SEIDELL, J.C; DEURENBERG, P; DROOP, A; BAKKER, C.J.G. – Waist-hip ratio is a poor predictor of changes in visceral fat. – American Journal of Clinical Nutrition, 57: 327-333, 1993.
  10. WILMORE, J.H; COSTILL, D.L. – Fisiologia do esporte e do exercício – 2ª edição, Manole, São Paulo, 2001.
  11. Abeso. http://www.abeso.org.br/calc_imc.htm. Acesso em 15/02/2008.