Running Anaerobic Sprint Test – RAST

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É um teste de campo, desenvolvido pela universidade de Wolverhampton, Inglaterra, constituído de 6 corridas de 35 metros com velocidade máxima e intervalo de 10 segundos entre as corridas, que serve para avaliar o desempenho anaeróbio (metabolismos aláctico e láctico) do individuo, sendo similar ao Wingate Amaerobic Test (30 segundos). Quanto aos valores do RAST em piso de grama e em quadra, os melhores resultados encontrados para o teste de quadra estão provavelmente associados ao piso, que oferece maior aderência no momento da execução do teste (GONÇALVES et.al. 2007).
Lembrando que a capacidade anaeróbia é um componente essencial para algumas modalidades esportivas, pois em determinados momentos da competição, há certa exigência de um esforço máximo numa alta intensidade instantaneamente. Para isso, a ressíntese muscular de ATP-CP deve ser realizada rapidamente para prevenir a fadiga e manter a contração muscular colaborando para o desempenho do atleta. Bangsbo (1994 -b), explica que quanto menor é o valor de índice de Fadiga, maior é a tolerância do atleta ao esforço intenso e conseqüentemente à fadiga.
Vale ressaltar que a potência muscular máxima e a capacidade anaeróbia são altamente dependentes de idade, sexo, características morfológicas e do nível de condicionamento físico. Há comentários de que a potência máxima no teste seria a potência anaeróbia e a potência média seria indiretamente a capacidade anaeróbia. Tanto as potências máxima, média como a mínima, pode ser expressas em relação à massa corporal (W.kg-1), o que permite a comparação entre sujeitos de diferentes massas corporais. O porcentual Gordura (%G) interferem diretamente no rendimento do atleta uma vez que quanto maior essa porcentagem, menor será os índices de potência, pois é a composição corporal referente à massa magra que está associada a esses índices, na medida em que são os músculos ativos que produzirão potência necessária para vencer os obstáculos da modalidade (Ferreira et. al, 2009).
Os esportes coletivos são definidos por esforços de alta intensidade em períodos de curta duração, realizando movimentos de caráter anaeróbio (Kokubun e Daniel, 1992). Sendo assim este teste pode ser aplicado em modalidades esportivas onde o atleta desloca-se em ritmos intensos e intermitentes como: o futebol de campo, o futebol de salão, o basquetebol, o handebol, o voleibol entre outros, a contribuição da energia anaeróbia é importante para se ter rendimento aceitável no jogo, além de que, bons níveis de condicionamento anaeróbio são requeridos para retardar a fadiga (BANGSBO1994 -a).
A preocupação com o controle de três períodos que regem a forma físico-desportiva de um atleta [período preparatório (aquisição da forma desportiva), período competitivo (manutenção da forma desportiva) e o período de transição (diminuição da forma desportiva)], torna-se necessário, haja vista que o teste RAST será aplicado regularmente (3 a 6 semanas) durante a temporada. Os resultados obtidos devem ser sempre comparados com os anteriores, visando determinar se o programa de treinamento planejado está atingindo os resultados desejados.
Bangsbo (1998-a) afirma que o jogador ideal de futebol, deve ter boa compreensão tática, ser tecnicamente hábil, mentalmente forte, se relacionar satisfatoriamente com os companheiros de equipe e ter elevada capacidade física. Para facilitar o entendimento do leitor usaremos o futebol de campo com exemplo, para estimar as potências: máxima, média, mínima e o índice de fadiga

Procedimentos

  1. Escolher um local plano e demarcado (inicio e fim) de 35 metros;
  2. Usar ou não equipamentos de fotocélulas;
  3. Verificar o peso (kg) do atleta antes do teste;
  4. Realizar aquecimento prévio através de alongamentos e corrida leve – 10 minutos;
  5. Após o aquecimento, uma recuperação ativa de 05 minutos;
  6. O atleta irá realizar 06 corridas completas na distância de 35 metros na máxima velocidade possível;
  7. Descanso de apenas 10 segundos entre cada repetição;
  8. Registrar o tempo de cada corrida em segundos e centésimos;88
  9. Recuperação ativa após as 06 corridas.

Como calcular potência máxima, média, mínima e índice de fadiga

  • Potência máxima (kg-1) é o valor mais alto atingido no teste (geralmente acontece na primeira corrida). O primeiro passo e achar a potência em watts (W), onde o peso atual e multiplicado pela distância ao quadrado (35m x 35m = 1225), e depois dividido pelo tempo obtido na corrida ao cubo (tempo x tempo x tempo). Com este resultado em potência (W) divide pelo peso atual (kg) do individuo onde teremos a potência máxima em W.kg-1.

 Potência (W) = Peso (kg) x Distância (m 2)                    Potência Máxima (W.kg) =Potência (W)
                                        Tempo (seg. 3)                                                                                  Peso (kg)

Resultados = W e W.kg-1

  • Potência mínima (kg-1) é o valor mais baixo atingido no teste (geralmente acontece na sexta corrida). O primeiro passo e achar a potência em watts (W), onde o peso atual e multiplicado pela distância ao quadrado (35m x 35m = 1225), e depois dividido pelo tempo obtido na corrida ao cubo (tempo x tempo x tempo). Com este resultado em potência (W) divide pelo peso atual (kg) do individuo onde teremos a potência mínima em W. kg-1

 Potência (W) = Peso (kg) x Distância (m 2)               Potência Mínima(W.kg) =Potência (W)
                                      Tempo (seg. 3)                                                                              Peso (kg)

Resultados = W e W.kg-1

  • Potência média (kg) é a somatória do valor das 6 potências em watts (W) obtidas dividido por 6. Com este resultado (W) divide o valor obtido pelo peso atual (kg) do individuo para achar a potência média em W.kg-1. Reflete a resistência localizada do grupo muscular em exercício, que utiliza energia principalmente das vias anaeróbias.

Potência (W) = Somatória de todas as potências (W)
                                                           6

Potência Média (W.kg-1) =Potência (W)
                                                    Peso (kg)          

Resultados = W e W.kg-1

  • Índice de fadiga (W. Seg-1) é a diminuição da potência máxima em watts (W) pela potência mínima em watts (W), dividido pela somatória de tempo das seis corridas (seg). Informa a queda de desempenho durante o teste, pois reflete diretamente uma diminuição da força e da velocidade.

Índice de Fadiga (W.Seg-1) = Potência Máxima (W) – Potencia Mínima (W)
                                                                  Tempo total das 6 corridas (seg)

Resultados = W.Seg-1.

 

Exemplo de ficha de coleta do Running Anaerobic Sprint Test (RAST – 35 m). Constando o desempenho parcial de tempo (segundos), atingido em cada uma das 6 corridas de 35 metros. 

Nome do atleta

Corrida 1 (seg)

Corrida 2 (seg) Corrida 3 (seg) Corrida 4 (seg) Corrida 5 (seg)

Corrida 6 (seg)


Ficha de controle individual de cada avaliado do
Running Anaerobic Sprint Test (RAST – 35 m)

Nome:
Idade:
Peso: (kg)                              Estatura: (cm)                                  Pressão arterial(mmHg):
Esporte:                                                                    Categoria:
Clube:
Carga: (% ou kg)                  Temperatura:                                   Umidade do ar: (%)
E-mail:
Data do teste:                                                           Avaliador:


Ficha de resultados para PP(W.kg-1), PM(W.kg-1) e IF (W.kg-1),

Potência máxima (aláctico), relativa à massa corporal (W.kg-1).
Valor:                                                                        Classificação:
Potência média (láctico), relativa à massa corporal (W.kg-1).
Valor:                                                                         Classificação:
Índice de fadiga (W.seg-1).
Valor:                                                                         Classificação:

 

 Tabela de classificação de desempenho para jogadores de futebol de campo

Indicador

Excelente Bom Aceitável Fraco

Potência máxima
(W.kg-1)

 

15,95 15,94 a 14,57 14,56 a 13,20

< 13,19

Potencia média (W.Kg-1) 

 

12,82 12,81 a 11,51 11,50 a 10,20

< 10,19

Índice de fadiga (W.seg-1)

 

6,96 6,97 a 8,90 8,91 a 10,85

> 10,86

BANGSBO, 1998 – b.

 

Por Luiz Antonio Domingues Filho

Referências bibliográficas

  1. BANGSBO, J. Energy demands in competitive soccer. Journal Sports Science, 12 spec. NS 5-12, 1994 – a.
  2. BANGSBO, J. The physiology of soccer-with special reference to intense intermittent exercise – Acta Physiology Scandinavian Suppl. 619:1-155,1994-b.
  3. BANGSBO, J. Optimal preparation for the World Cup in soccer – Clinics in Sports Medicine, 17(4) 697-709, VI, 1998-a.
  4. BANGSBO, J. Quantification of anaerobic energy production during intense exercise – Medicine Science Sports Exercise, 30 (1) 47-52, 1998-b.
  5. FERREIRA, A.P ; GOMES, S.A ; LANDHWER, R ; FRANÇA, N.M. Potência anaeróbia e índice de fadiga de atletas de futsal da seleção brasiliense. Revista Brasileira de Futebol. p.60-69. 2009.
  6. GONÇALVES, H. R.; ARRUDA, M.; VALOTO, T. A.; ALVES, A. C.; SILVA, F. A.; FERNANDES, F. Análise de informações associadas a testes de potência anaeróbia em atletas jovens de diferentes modalidades esportivas. Arq. Ciênc. Saúde Unipar, Umuarama, v. 11, n. 2, p. 107-121, maio/ago. 2007.
  7. KOKUBON, E.; DANIEL, J. F. Relações entre a intensidade e duração das atividades em partida de Basquetebol com as capacidades aeróbia e anaeróbia: estudo pelo lactato sanguíneo. Revista Paulista de Educação Física. Vol. 6. N0. 2. p. 37-46. 1992